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domingo, 8 de janeiro de 2012

Privataria Tucana

Fonte/: Stephen Kanitz - Artigos e Comentários
Por que Não Deram Direito de Voto na Desestatização Tucana?
Posted: 02 Jan 2012 10:00 AM PST
Images (64)Aqui temos uma boa pergunta para ser feita na CPI da Privataria.
Por que não deram o Direito de Voto aos 83% de Brasileiros que possuíam na época ações da Telebras e Vale do Rio Doce?
Por que insistiram em vender os 17% que o Estado possuía destas empresas, e dava controle?
Por que nenhum jornalista econômico e economista brasileiro comentou isto na época?
Não é a censura que fazem do livro do Amaury, 20 anos depois, que é um escândalo.
É a censura feita na época que é um escândalo.
Por que Paulo Henrique Amorim não noticiou que 83% dos acionistas não votaram nas suas assembleias de acionistas a favor da venda das empresas que eram deles?
83% dos acionistas não puderam opinar, somente os três economistas que são objeto do livro.
Por que a imprensa não tem compromisso com a verdade, somente um blog e outro escondidos na globosfera?

Isto não parecia estranho para os jornalistas na época? Pelo jeito, nem agora.
O que estamos presenciando é uma caça ao Serra.
E não um movimento em prol da anulação das "privatizações" porque foram feitas a revelia do setor privado que detinha 83% das ações das empresas vendidas.
As desestatizações deveriam ser anuladas porque 83% dos acionistas não votaram.
O Estado deverá pagar de volta o "ágio de controle" que recebeu daqueles que compraram os 17%.
Nenhum jornalista, na época, achava estranho que O Estado controlasse a Telebras com somente 17% dos votos?
Pior que não, a maioria não é formada em administração, e só ouvem economistas que achavam isto normal.
Em vez de termos um Daniel Dantas controlando uma Telefonica com somente 6% do capital (tinham várias holdings, empréstimos e apoio do CitiBank), nós não tucanos teríamos devolvido o controle para os 83% de acionistas de fato.
Teríamos também terminado a obrigatoriedade do Consumidor ser Capitalista ao mesmo tempo, o que ainda ocorre no setor elétrico brasileiro e na Petrobras.
O que os economistas do PSDB fizeram foi manter a ditadura do Bloco de Controle, que perdura até hoje.
Mantiveram as ações sem direito de voto, agora na mão de economistas como Daniel Dantas e outros.
Venderam caro este bloco de controle, três vezes mais do que o valor em Bolsa na época.
Mendonça de Barros me assegurou que sabia de tudo isto que estou escrevendo, mas que o Ministério Público não teria permitido não vender o bloco de controle pelo preço máximo.
Ele achava que seria processado por não defender os interesses do Estado.
Que o Ministério Público exige "maximizar" o lucro do Estado.
Talvez ele tivesse razão, mas eu acho que poderíamos ter convencido o Ministério Público que devolver o direito de voto aos que pagaram R$ 10.000,00 era do interesse do Estado, e seria até uma obrigação constitucional.
Com a palavra o Ministério Público.
O verdadeiro escândalo é que brasileiros não ficam sabendo de tudo isto pela imprensa brasileira, que a roubalheira foram estes 100 bilhões de reais que o povo pagou para ter telefone, quando agora é zero.
Que o escândalo é que o Estado controle empresas como a Petrobras, tendo a minoria das ações da empresa.
A imprensa nem faz isto por mal. É que nossos jornalistas não entendem nada de empresas, capitalismo de estado, capitalismo democrático, somente economia por osmose de tanto entrevistar os mesmos economistas de sempre.
Se você quer tornar este país justo e democrático, se você quer eliminar a exclusão social nos demais setores deste país, se você quer que todos os brasileiros tenham o direito de voto, se você quer um país bem administrado e eficiente, eis o que você deve fazer.
Estude administração de empresas, faça um MBA se você é um advogado, engenheiro, médico, jornalista com um mínimo de espírito cívico e empreendedor.
Entenda como fazer deste país um lugar melhor para os seus filhos, e não este mundo de blocos de controle, corrupção, ineficiência, corporativismo e favoritismo classista.
Seus filhos irão agradecer.

A Privataria Tucana

Fonte: Stephen Kanitz - Artigos e Comentários

Sobre o Livro "Privataria Tucana"
Posted: 18 Dec 2011 12:51 PM PST
Livro de AmauryFenômeno Editorial, se esgotou no primeiro dia, vende mais do que o livro do Steve Jobs.
Trata de "privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república" e sobre a pechincha da venda da Vale
A primeira falha do livro, é que a Telebrás e a Vale não foram privatizadas.
Isto mesmo pessoal.
Elas já eram empresas privadas, 83% das ações pertenciam ao setor privado.
No caso da Telebrás, a todos os brasileiros que compraram linhas telefônicas por R$ 10.000 a linha a preço de hoje, e recebiam ações da Telebras ou Telesp em troca.
Portanto a Telebrás e Vale não foram "vendidas" pelos tucanos.
Somente 17% destas empresas é que foram vendidas, o bloco de controle.
Algo, que quero adiantar, eu e nenhum administrador teria feito. Falarei sobre isto no final.
Mas típico do Capitalismo de Estado, estes 83% de ações não tinham direito a voto, somente os 17%, chamado bloco de controle.
Este "bloco de controle" foi vendido a um preço 3 vezes superior ao preço de mercado, 3 vezes o preço de Bolsa na época, o preço das açoes sem direito de voto.Longe de ser uma roubalheira, foi um excelente negócio para o governo. Venderam a preço de ouro justamente porque era os 17% que davam o controle.
O resto do setor privado que tinham ações sem direito de voto, ficaram a ver navios.
Por isto, nós administradores do Novo Mercado, lutamos e conseguimos o Tag Along.
Hoje, os tucanos não poderiam fazer este truque com o povo brasileiro.
Mas verdadeira roubalheira está no fato de que no Capitalismo de Estado cada linha telefonica custar R$ 10.000,00.
Multiplique isto pelos 10 milhões de usuários foram R$ 100 bilhões que foram pelo ralo. A Telebrás na época estava quebrada por isto decidiram desestatizá-la.
Que os Tucanos são pancadas, não há a menor dúvida, até FHC usa o termo Privatização, quando deveria usar Desestatização, que para quem vende fica muito mais defensável.
Como se pagava estes R$ 10.000 adiantado, para que a Estatal pudesse ter dinheiro para levar uma linha de telefone até a sua casa, e como boa parte do dinheiro sumiu, a Telebrás não tinha mais como cumprir seus contratos, e decidiram se livrar do abacaxi.
Vender uma empresa ineficiente, quebrada, que devia um monte de linhas de telefônica para a qual não tinha mais como entregrar, não é delapidar o patrimonio da União, nem roubalheira.
Roubalheira foi tirar R$ 100 bilhões do povo brasileiro para colocar 10 milhões de linhas, o que hoje o Capitalismo Democrático colocou 200 milhões de linhas por muito menos.
Fim da tese do livro.
Agora a verdadeira questão é essa.
Porque o Estado teve que vender 83% destas empresas ?
E porque jornalistas como ficaram quietos quando 83% foram vendidos, e só chiaram quando 17% foi vendido ?
Porque nossos jornalistas econômicos não chiaram quando 83% destas empresas foram "privatizadas", vendendo ações sem direito a voto?
E só chiaram quando os 17% que controlavam os 83% de forma ditatorial e anti democrática foram vendidos.
Todos os jornalistas compraram seus telefones por R$ 10.000,00 com bom grado,e sabiam que eram agora sócios privados da Telebrás.
Todos os jornalistas da época sabiam que estas ações não tinham direito de voto, e acharam isto absolutamente normal.
Se o Brasil tivesse na mão de administradores na época e não economistas, nós não teríamos vendido os 17% do bloco de controle.
Nós teríamos dado o direito de voto aos 83% de acionistas da empresa, pondo fim a ditadura do Capitalismo de Estado.
Os 83% teriam elegidos administradores profissionais brasileiros, a Telebrás seria hoje uma empresa nacional, e o governo teria o beneficio da melhoria de eficiência e valorização dos seus 17%.
O Estado seria o maior acionista, teria assento no conselho, mas a administração seria eficiente, e teria feito a mesma coisa que as empresas desestatizadas fizeram.
Dos 10 milhões de linhas telefônicas passaríamos aos 200 milhões que temos hoje, mas teríamos ainda uma empresa brasileira, forte, não pulverizada, de classe mundial.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Livro gera pedido de CPI e audiência pública na Câmara dos Deputados e Midia não sabe o que fazer com o livro “Privataria tucana”

Dica do Reginaldo King.

O livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro, começa a ter impactos concretos em Brasília. O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), recebeu um pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar os supostos casos de lavagem de dinheiro e a realização de uma audiência pública para debater as denúncias.

Estarrecido com as denúncias, Brizola Neto (PDT-RJ) foi à tribuna da Câmara para pedir ao seu partido que consiga mais assinaturas para o pedido de CPI.

“No livro, só de documentos, são mais de 100 páginas, que mostram claramente o que aconteceu durante o processo de privatizações do governo Fernando Henrique”, atacou o parlamentar.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) também não deixou barato. Foi ele quem pediu a realização de audiências públicas para apurar as denúncias feitas pelo jornalista.

"O parlamento brasileiro não pode silenciar diante de indícios tão significativos de crimes contra o patrimônio público", ressaltou o deputado, no pedido feito a Marco Maia.


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Midia não sabe o que fazer com o livro “Privataria tucana”

Um curioso espírito de ordem unida baixou sobre a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e outros. Ninguém fura o bloqueio da mudez, numa sinistra brincadeira de “vaca amarela” entre senhores e senhoras respeitáveis. Como ficarão as listas dos mais vendidos, escancaradas por jornais e revistas? Ignorarão o fato de o livro ter esgotado 15 mil exemplares em 48 horas?

Há uma batata quente na agenda nacional. A mídia e o PSDB ainda não sabem o que fazer com A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr. A cúpula do PT também ignora solenemente o assunto, assim como suas principais lideranças. O presidente da legenda, Rui Falcão, vai mais longe: abriu processo contra o autor da obra, por se sentir atingido em uma história na qual teria passado informações à revista Veja. O objetivo seria alimentar intrigas internas, durante a campanha presidencial de 2010. A frente mídia-PSDB-PT pareceria surreal meses atrás.

Três parlamentares petistas, no entanto, usaram a tribuna da Câmara, nesta segunda, para falar do livro. São eles Paulo Pimenta (RS), Claudio Puty (PA) e Amaury Teixeira (BA). O delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) começa a colher assinaturas para a constituição de uma CPI sobre os temas denunciados no livro. Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) indagou: “Nenhum jornalão comentou o procuradíssimo livro A privataria tucana. Reportagens sobre corrupção têm critérios seletivos?”

O silêncio dos coniventes - O silêncio maior, evidentemente, fica com os meios de comunicação. Desde o início da semana passada, quando a obra foi para as livrarias, um manto de silêncio se abateu sobre jornais, revistas e TVs, com a honrosa exceção de CartaCapital.

As grandes empresas de mídia adoram posar de campeãs da liberdade de expressão. Acusam seus adversários – aqueles que se batem por uma regulamentação da atividade de comunicação no Brasil – de desejarem a volta da censura ao Brasil.

O mutismo sobre o lançamento mais importante do ano deve ser chamado de que? De liberdade de decidir o que ocultar? De excesso de cuidado na edição?

Um curioso espírito de ordem unida baixou sobre a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e outros. Ninguém fura o bloqueio da mudez, numa sinistra brincadeira de “vaca amarela” entre senhores e senhoras respeitáveis. Que acordo foi selado entre os grandes meios para que uma das grandes pautas do ano fosse um não tema, um não-fato, algo inexistente para grande parte do público?

Comissão da verdade - Privatização é um tema sensível em toda a América Latina. No Brasil, uma pesquisa de 2007, realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo Instituto Ipsos detectou que 62% da população era contra a venda de patrimônio público. Nas eleições de 2006, o assunto foi decisivo para a vitória de Lula (PT) sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

Que a imprensa discorde do conteúdo do livro, apesar da farta documentação, tudo bem. Mas a obra é, em si, um fato jornalístico. Revela as vísceras de um processo que está a merecer também uma comissão da verdade, para que o país tome ciência das reais motivações de um dos maiores processos de transferência patrimonial da História.

Como ficarão as listas dos mais vendidos, escancaradas por jornais e revistas? Ignorarão o fato de o livro ter esgotado 15 mil exemplares em 48 horas?

O expediente não é inédito. Há 12 anos, outra investigação sobre o mesmo tema – o clássico O Brasil privatizado, de Aloysio Biondi – alcançou a formidável marca de 170 mil exemplares vendidos. Nenhuma lista publicou o feito. O pretexto: foram vendas diretas, feitas por sindicatos e entidades populares, através de livreiros autônomos. O que valeria na contagem seriam livrarias comerciais.

E agora? A privataria tucana faz ótima carreira nas grandes livrarias e magazines virtuais.

Deu no New York Times - O cartunista Henfil (1944-1988) costumava dizer, nos anos 1970, que só se poderia ter certeza de algo que saísse no New York Times. Notícias sobre prisões, torturas, crise econômica no Brasil não eram estampadas pela mídia local, submetida a rígida censura. Mas dava no NYT. Aliás, esse era o título de seu único longa metragem, Tanga: deu no New York Times, de 1987. Era a história de um ditador caribenho que tomava conhecimento dos fatos do mundo através do único exemplar do jornal enviado ao seu país. As informações eram sonegadas ao restante da população.

Hoje quem sonega informação no Brasil é a própria grande mídia, numa espécie de censura privada. O título do filme do Henfil poderia ser atualizado para “Deu na internet”. As redes virtuais furaram um bloqueio que parecia inexpugnável. E deixam a mídia bem mal na foto…


Por Gilberto Maringoni * (Carta Maior)


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